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PERFUME DE MULHER - Soneto

Tu que tens os aromas e as cores Da beleza que invade meu querer Adornada em paisagens de amores Adentrando o oasis do meu ser....

terça-feira, 8 de maio de 2012

MARÉ MORTA





Sim, eu vi a maré.
Àgua escurecida,
Barcos á deriva,
Como que esquecidos,
Largados, perdidos
Num canto qualquer.
Água poluída,
As margens sem vida
Expondo a lama densa,
Grotesca, intensa,
Preta, feia e fria.

Sim, ouvi os seus ais!
E nos maguezais,
Tenebrosa visão.
Árvores tortas,
Raízaes expostas,
Num aceno lento,
Como quem suplica
Aos deuses do vento
Sua compaixão.
Que a agonia lenta
Lhes seja mais leve,
Pois a morte em breve
As visitará.

Sim, ouvi os clamores.
Senti suas dores
Como sendo em mim.
Pois o rio que havia,
Já não vive mais,
Não mais como antes,
De aguas reluzentes,
Tal como cristais.
Pois as suas margens
Se tornaram tétricas,
Corre no seu leito,
Substâncias fétidas
Que são tão somente
Venenos mortais.

Sim, eu vi o cardume,
Tal como um tapume
Encobrindo as águas
Paisagem funesta
Que franze a testa,
E entristece a alma.
E vi o desgosto,
De quem traz no rosto,
Pouca confiança,
Pescador amigo
Que tira o sustento
Da rede que lança
E ainda insiste
Pois nunca desiste
De viver feliz.
E os dejetos expostos
Denunciam os rostos,
De quem não os quiz.
José Bento

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