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sábado, 22 de outubro de 2011

O DISCURSO DO PREFEITO CANDIDATO - CONTO


     Começam os preparativos para a campanha eleitoral de
1972, na cidade de Lagêdo, interior de Minas Gerais.
     O atual prefeito, então candidato a reeleição, pediu para
um dos secretários arrumar um local adequado para fazerem
a abertura oficial da campanha.
     Depois de algumas pesquisas, o secretário descobriu que
havia, em um dos bairros da periferia, um cidadão de nome
João Gotad Tamu Lacunô. Era um homem simples, bem humilde,
apesar do nome estranho. Segundo ele, seu nome era uma
mistura dos sobrenomes da sua mae francesa com o pai japonês,
(ou algo assim), em virtude da grande imigração ocorrida anos
atráz. Por causa do nome diferente, tornou-se uma pessoa bastante
conhecida na visinhança.
      Como era de costume, principalmente em bairros pobres e
cidades pequenas, os visinhos logo arrumaran um apelido para 
João Gotad. Afinal, era um nome difícil de pronunciar, e, como haviam
muitos "Joãos" na cidade, eles teríam que diferenciá-lo dos outros.
Por isso, e por ser bastante humilde, logo ficou
conhecido como "João Coitado".
     Depois de conhecer a estória, o secretário achou que seria
uma ótima idéa fazer a abertura da campanha em frente a casa
de João Coitado. Até porque, era um nome bastante sugestivo e
poderiam até tirar proveito disso, para incrementarem ainda mais
o discurso do prefeito candidato.
     De volta, com as informações, o secretário logo as
repassou ao canditado, que ficou muito satisfeito com o resultado.
Chamou então um outro secretário e o encarregou de escrever o seu
discurso, repassando a ele as informações sobre João Coitado.
    Neste mesmo dia, haveria a ultima reunião do partido, antes
do inicio da campanha, que seria iniciada na proxima semana.
     De posse das informações, o novo secretário começou a
estudar a melhor forma de organizar o discurso do cadidato
prefeito. Juntou todos os dados e elaborou um rascunho inicial.
Não conseguindo finalizar juntou os papéis e os engavetou.
     Chegou o fim de semana. Na reunião, o prefeito havia anunciado
que daria uma festa em sua residência por ocasião do seu aniversário,
que, coincidentemente, seria um dia antes do ínicio oficial da campanha,
quando então tratariam dos ultimos detalhes.
    Convidou todo o secretariado, parentes, amigos, conhecidos, enfim,
toda aquela cambada que costuma rodear os caditados em épocas de eleição.
     Tratou também de reservar uma grande área externa para receber
o povão. Mandou fechar a rua e distribuir refrigerantes, sucos, doces,
brinquedos, enfim, um monte de besteiras pra agradar a população.
Claro, tudo por ocasião do aniversário do ex-prefeito (olha que mentira!),
pois era poibido falar em politica, uma vez que a campanha ainda não
tinha começado oficialmente.
     Pois bem, enquanto se agradava o povo na rua(com segundas intenções,
é claro), na casa o prefeito a festa rolava solta. Muita comida, bebidas,
música ao vivo, salão de dança, enfim, tudo o que se tinha direito.
E, por baixo dos panos, os arrumadinhos e táticas secretas, para se obter
o máximo de apoio possível ao candidato.
    Dia seguinte, campanha rolando. Ainda meio bêbado, já quase meio dia,
o secretário lembrou que tinha esquecido de terminar o discurso do prefeito.
Saiu às pressas para o escritório para rever a papelada, pois teria que
terminar o discurso á qualquer custo, antes da hora de apresentação.
Releu as informações e começou. Primeiro as boas-vindas, os cumprimentos
e toda aquela chatice de sempre. Mais ou menos na metado do discurso,
o cara "engasgou", pois teria que falar sobre João Coitado e numa
possível injustiça que esteria sendo cometida contra ele e mais alguns
moradores.
     Uma certa empresa havia lançado um projeto, mas o terreno de que
dispunha era pequeno e, para expandir,  precisaria idenizar alguns moradores.
Entre eles estava João Coitado.
     Corria boatos de que essa empresa prometia as idenizações mas não pagava.
Os pobres coitados tinham que apelar pra justiça, pra poder receber o que
lhes era devido. Outro fato, era que a tal empresa tinha o aval da oposição,
incluindo o principal adversário do então prefeito candidato. Ora, mas
isso seria um prato cheio pra desbulhar na campanha.
     As horas passavam e o secretário não conseguia organizar as ideías.
Tinha tudo nas mãos, mas não via um jeito de organizar de forma conveniente
e colocar no papel.
     Parou por um instante e deteve-se no nome verdadeiro de João Coitado.
"Mas que nomezinho desgraçado esse!", pensou ele. E nada de nada. O cara
ja estava soando frio. De repente, levantou-se, foi até o bar
e tomou uma dose dupla de wisky pra ver se clareava as idéias.
Foi ao banheiro, valou o rosto e ficou olhando-se no espelho. Subtamente,
como num lampejo, lhe veio uma idéia. Correu pra mesa e continuou
a escrever. Pronto, até que enfim terminou! Rapidamente, ja em cima da hora,
correu para entregar ao candidato, que nem teve tempo de ler, quanto mais
de decorar.
    Começa então o tão esperado discurso. Primeiro fala das suas obras
quando era prefeito, promete melhorar, terminar o que ficou pendente,
enfim, todo o blá, blá, blá de costume. Então chega na parte em que fala
sobre João Coitado.
      Diz o candidato:
- Meus amigos, todos vocês sabem que o nosso querido João coitado,
juntamente com muitos de voces, estão sendo injustiçados por essa
empresa maquiavélica e desonesta. Sabem também que essa empresa
tem o apoio do meu maior adversário. Se por um acaso ele vencer essa eleição
estejam certos, e eu vou dizer com todas as letras: João Coitado Tomou Lanucu 
não vai receber é nada!
     Pronto, vexame total! Vaia geral de ponta a ponta. O candidato a vice,
que estava ao lado, foi logo perguntando:
- Mas o que foi isso seu prefeito, o senhor ficou louco?
    O prefeito, percebendo a besteira que disse, exclamou:
- Mas que merda! Que porra é essa secretário, o senhor tá querendo
me foder?
     Secretário:
- Puta que pariu, seu prefeito! o senhor me disculpe. Eu terminei
o discurso em cima da hora, acabei trocando as letras, nem deu tempo
de corrigir. Mas também, eta nomezinho desgraçado esse!
      O prefeito:
- Agora a merda fedeu! Mas afinal, como é o nome desse cara?
Rapidamente escreveram num papel e o prefeito voltou a discursar:
- Mas isso seria se MEU adversário ganhasse. Comigo a coisa vai
ser diferente e voces podem ter certeza: João Gotad Tamu Lacunô
e tdos os outros, vão receber cada centavo que lhes é devido.
 Aí povão aplaudiu:
- Muito bem seu prefeito!!
- Viva o nosso prefeito!!
- Viva!!!!
Então o prefeito candiato aproveita a empolgação do povo e encerra
seu discurso.
     Depois,liviado, desabafa:
-  Puta que pariu, essa foi de lascar!

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