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PERFUME DE MULHER - Soneto

Tu que tens os aromas e as cores Da beleza que invade meu querer Adornada em paisagens de amores Adentrando o oasis do meu ser....

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

APATIA




Olhos lacrimejam a água da vida
A qual já envolveu o mesmo ser.
Por hora, receoso, esse ser que chora,
Inconscientemente busca em outrora
A mesma segurança, que hoje não vê.

O ventre que o acolhe hoje é bem largo
Mas, em lotes vãos está fragmentado.
O ser que era forte e hoje é servil
E parece ter virado um rio seco.
À golpes de açoite, cumpre a jornada
Pois antes, o que era uma bela estrada,
Hoje é somente um assombrado beco.

Apático e tétrico, tornou-se o homem.
Os lácteos proteicos que lhe davam vida,
Hoje lentamente lhe consomem.
Envenenam corpo, alma e mente,
Enquanto seu desejo á força é contido,
Seus próprios valores são submetidos
A tudo que é vil, blasfemo e indecente.

Bebam vocês mesmos do próprio veneno
E vão-se às favas, bando de chacais.
Que a tudo infecta e a tudo condena,
Que rouba dos outros energias vitais
Feito parasitas de fome voraz
Transformando vidas em suas falenas.

Mas o forte na peleja não se rende
Nem se adorna com cinzel de avarentos
Que afoguem-se nos próprios excrementos
Quem ousou envenenar um simples grão
Desse trigo que germina desse chão
E produz o sagrado alimento.

Nobres atos, mesmo que servis
Deste pobre de alma dolorida
Que, apesar de uma vida aguerrida
Não se rende ao descaso ou dissabor
Pois ainda acredita no amor.
Como fonte que alimenta a própria vida.

José Bento

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