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PERFUME DE MULHER - Soneto

Tu que tens os aromas e as cores Da beleza que invade meu querer Adornada em paisagens de amores Adentrando o oasis do meu ser....

domingo, 6 de julho de 2014

Rei menino


Minha infância tornou-se tão distante...
Eu, ás vezes, me pego a recordar,
Da casinha singela, do terreiro,
Das cantigas e modas do lugar.
A cacimba, de água cristalina
E um carro-de-boi gemendo, além.
Do olhar tão singelo de alguém
Que fez o meu coração descompassar.
Quando lembro meu tempo de menino,
Até sinto vontade de voltar.

Meio dia o sol estava a pino,
O meu pai já chega pra almoçar.
Minha mãe a comida põe na mesa,
O meu pai já tem pressa de voltar.
Duas conchas e meia de feijão,
E, assada na brasa, uma sardinha,
Um caneco bem grande cheio d'água,
E, do lado, uma cuia de farinha.
Quem viveu lá roça conheceu
Essas coisas, na vida que se tinha.

Lembro o aboio solene do vaqueiro
Ajuntando o gado no curral.
Um fulano, um sicrano e coisa e tal,
Das estórias que haviam no lugar.
Feriado não tinha pra folgar,
Mas se tinha respeito ao dia santo.
Quando a noite descia o seu manto,
Se cobria de estrelas todo o céu
E brincando de rodar eu via o mundo
A girar num imenso carrossel.

Minha terra, meu brejo, minha vila,
Meu pedaço de chão, meu lugarejo
Quando fecho meus olhos eu te vejo
E a saudade me invade com fervor.
Ouço ainda a voz do cantador
Entoando as notas do teu hino.
Com orgulho eu fui teu rei menino
E te guardo em meu peito com amor
Mas, um dia, cruzei tua cancela,
Quando vi que menino não mais sou
E não pude outra vez passar por ela,
O menino em homem se tornou.

José Bento

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