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PERFUME DE MULHER - Soneto

Tu que tens os aromas e as cores Da beleza que invade meu querer Adornada em paisagens de amores Adentrando o oasis do meu ser....

domingo, 6 de julho de 2014

Veridiana


Veridiana, tens a alma gélida,
Igualmente as madrugadas frias.
E quando vinhas nas noites de setembro
Tu agias como se fosses minha.
Mas, ao raiar do dia, despertavas
E já não eras quem ontem pareceu.
Pois com olhar tão fúgido e contestante
Parecias cuspir no prato em que comeu.
Outra vez seguias teu caminho,
Errante, como sempre foi.
Mas, fazer o que?
Quem te desconserta não sou eu,
Mas, sim, alguém pra quem não tens valor,
Que te usa, como e quando quer.
Que te trata como uma coisa
E não como mulher.
É, eu sei... cada um só tem o que pode ter.
E só temos dos outros aquilo que nos dão.
Então não há o que contestar,
Como poderia eu querer amor
De alguém que não tem pra dar?
Veridiana, a vida é tua, eu sei
Assim como foi nosso este colchão,
Mas não haverá próxima vez,
Porque não sou tapume nem capacho,
Nem ficarei eternamente
Enxugando lágrimas que não causei.
Apesar de tudo, tivemos bons momentos.
Estes sim, iremos sempre recordar.
Mas não te recrimino, nem condeno,
Porque não sou melhor do que você.
Afinal, eu também deixei você me usar.

José Bento

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